sábado, 30 de agosto de 2014

"A morte boa. A vida ruim"

Matei a fome, mas antes, morri de vontade.
Morto, consumi, transbordei e assisti a morte do desejo.
Tomei um gole de desprezo, pelo apego e descobri o sabor de matar, saborear.
Assim morreu a solidão, morreu o apelo, a morte boa.
Morto pela ânsia, não guardo, desapego.

Vivi sem fome, depois, fiquei na vontade.
Vivo, desperdiço, derrubo e vejo a vida sem almejo.
Como um pedaço de certeza pelo apego, encubro o segredo de provar, apreciar.
Assim viveu a solidão, viveu a apelação, a vida ruim.
Vivo pela displicência, procuro e não acho.