domingo, 23 de outubro de 2011

"O jardim"

"Decidi um dia desses voltar a escrever, sem responsabilidade, assim sem maldade.
Meu tempo de infância, aprendi que o céu e o inferno eram consequência das nossas atitudes, essa são minhas lembranças. Na minha infância vivenciei situações que me assustavam, outras me intrigavam.
Sempre fui racional, mas a mesmice do cotidiano é insuportável, queria algo a mais, ou pelo menos respostas das perguntas que eu tinha.
Onde estava a minha salvação para esse tédio, essa insegurança, ela estava num jardim, bonito, um jardim de ilusão, nesse jardim a ilusão usava uma máscara, essa máscara tinha uma mistura de euforia e prazer, mas com toques de insegurança, mas eu tinha uma companhia nesse jardim, e isso fazia toda diferença.
Minha curiosidade passou por cima da minha responsabilidade, com muita displicência entrei no jardim, e descobri que esse jardim se montava de pouco em pouco num
labirinto. Isso atiçou minha ansiedade e acendeu minha sagacidade.
O que eu via nesse jardim é que eu não precisava me preocupar com minhas perguntas, por breves momentos a sua beleza, a sua companhia bastava, mas quanto mais eu entrava no jardim, descobria o labirinto, a companhia já não me acompanhava e as perguntas se tornavam meus carmas pessoais.
Cheio de angústia, continuei a caminhar no jardim, vi muitos "oasis", vi muitas paradas pra descansar, nessas paradas aquela companhia voltava e eu fingia esquecer do labirinto, mas acendi um cigarro e olhei para frente e o re-vi, olhei para trás, e não tinha mais companhia. chorei por dentro, voltei correndo onde tinha visto um
oasis, mas o que eu achei, foi um buraco não era tão fundo, mas a companhia estava la, fiquei eufórico, agachei, estiquei minha mão mas, na camiseta dela estava escrito:
"- É agora ou nunca, me deixe". Eu resisti, estiquei minha mão de novo e escorregando gritava vem, vem, vem, vem,  e ela sorriu irônicamente e tirou a camiseta, no seu peito estava escrito: "- Equilibre-se e vá". Senti raiva porque quando eu mais queria sua companhia, ela fugia de mim quando mais precisava dela ela me ignorava. Levantei, e deixei com ela a minha ansiedade e minha angustia, ela me deu em troca um equilíbrio, e voltei sentido contrário, porque o que via na frente e quase dentro do labirinto eram pessoas chorando, sem roupas, sem brilho, sem nada.

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