A porta aberta, a erva la fora, a cigarra e seu canto incessante, disfarço meu desânimo.
Me animo, aparo a grama e lapido meus pensamentos. E o que sobra é esperança, desembaçando meu foco.
Minha vó me disse que a vida é uma estrada, e eu concordo. A gente caminha nela preservada, limpa sem buracos, e ali não tem incomodo a não ser a ansiedade de chegar no destino, diante disso vem as curvas, a estrada muda, o que era grafite vira marrom, o que era azul vira cinza, balança, mudamos nossa marcha, quase que não vai, quase que não da, parece que não vai chegar e enfim chego, cansado e ansioso. Fecho a porta faço um chá, a cigarra cessa, disfarço meu orgulho em conseguir e mantenho-me a lapidar. E o que sobrava, não sobra mais e embaça tudo de novo.
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