Pago de "maloqueiro" pra não ser assaltado, sou romântico,
pra não acabar solitário, jogo na loteria pra ganhar o que não ganhei,
trabalho porque bilhete premiado é raro, eu sei.
Tenho fé, mas não pago pra ver, não tenho medo da morte,
mas tenho medo de morrer.
Tenho medo pelo tempo que já perdi e do tempo que há de vir.
Tive medo de alguns instantes e não os curti.
Tive medo de alguns instantes e não os curti.
Tenho medo da policia na madrugada, dos insanos e suas ciladas, das drogas, suas paranoias, do sexo sem camisinha, das brigas e das cobras, das aranhas também, dos escorpiões e dos motoristas beberrões. Tenho medo dos mistérios do além.
E tem o medo de ficar cego, de errar o prego, e acertar o dedo, de burlar e ser pego, de vacilar e ser preso, tenho medo de lembrar das minhas fraquezas. Como tenho medo, de falar das minhas vergonhas alheias e de levar uma mordida de abelha.
Coragem não é a ausência do medo, mas a arte de enfrenta-lo. Sou um medroso corajoso.
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